sábado, 31 de julho de 2010

Lido: Eis o Homem

Eis o Homem (bib.) é uma novela de Michael Moorcock, vencedora de um Nebula e geradora de grande controvérsia, como o próprio Moorcock conta na "Nota do Autor" que fecha o volume à maneira de posfácio. Como seria de esperar, aliás. Trata-se de uma história de viagem no tempo cujo protagonista é um psiquiatra amador e falhado, junguiano e cheio de interrogações místicas, que decide viajar até à época de Cristo. A história saltita entre o presente e o passado longínquo, acompanhando alternadamente as discussões entre o protagonista e a namorada, uma cética antirreligiosa, e as deambulações do viajante no tempo pela antiga Palestina em busca de Jesus de Nazaré. Isto numa fase inicial, porque depois o viajante no tempo encontra um Jesus que não é nada do que estava à espera e vai ser confrontado com um dilema: deixar morrer o mito, o que com aquele Jesus seria inevitável, ou servir-lhe de agente?

Claro, como bem sabia Saramago, que tocar na figura mítica de Cristo cria problemas aos escritores que a tal se atrevem. Caem-lhes os zelotas todos em cima. Este livro, portanto, não é nada aconselhado a quem está convicto da realidade do mito e não gosta de o ver beliscado. Católicos intransigentes, fiquem bem longe dele. Para os outros, entre os quais me incluo, é um livro no mínimo interessante, embora eu tenha de confessar que gostei mais da primeira vez que o li, em inglês, do que desta releitura em português.

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