domingo, 25 de julho de 2010

Lido: A Mão de Midas

A Mão de Midas é um conto de Jack London que descreve, num estilo parcialmente epistolar, a chantagem que um grupo terrorista ou anarquista faz a um magnata. Enquanto este não ceder ao grupo (autodenominado A Mão de Midas, daí o título) o montante exigido ir-se-ão sucedendo assassínios. É um conto que se situa algures entre o policial e o horror psicológico e se debruça ao mesmo tempo sobre a culpa e sobre as relações de poder na sociedade americana de há 100 anos, muito semelhantes, aliás, às que existem hoje em todo o mundo ocidental. Porque A Mão de Midas assassina, é certo, mas se o magnata pagasse não assassinaria, e por isso atribui-lhe a responsabilidade pelos assassínios. E porque este, apesar de todo o poder que o dinheiro e o prestígio social lhe conferem, é impotente para travar os crimes que vão sendo cometidos devido à sua teimosia em não ceder. Um conto muito interessante e, por motivos óbvios, muito relevante nos dias que correm. E também um conto que finalmente justifica, ainda que marginalmente, a sua inclusão numa coleção de literatura fantástica.

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