segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Onde se vai rapidamente do meu pai ao destino do país

O meu pai morreu a 5 de março de 2011. Hoje é 15 de outubro de 2012. Entre uma data e outra dista um ano, sete meses e dez dias.

Hoje, recebi uma carta que lhe é dirigida. Vem do Ministério das Finanças ou, mais precisamente, de uma das suas direções-gerais. Contém o cartão de beneficiário da ADSE, passado ao titular.

E é basicamente por isto que estamos na situação em que estamos. Por causa da ineficiência. Por causa da mais pura incompetência. A começar, precisamente, no Ministério das Finanças.

E é basicamente por isso que este país só terá futuro com uma limpeza geral. A começar, precisamente, pelos ministérios. Ou seja: pelo governo. Pura e simplesmente não nos podemos dar ao luxo de continuar a tolerar tamanha incompetência.

4 comentários:

  1. A minha mãe morreu o mês passado e eu liguei para o hospital para saber como podia informar do seu falecimento de modo a encerrarem o processo dela, porque sei que tem consultas e exames agendados de várias especialidades, e disseram-me que o melhor era não dizer nada e ignorar as cartas de marcação conforme fossem chegando. E antes de ela morrer, acamada e paraplégica, foi obrigada a ir de ambulância a duas juntas médicas em que mal olharam para ela, uma para ter o subsídio por dependência (ministério da seg. social) e outra para ter isenção das taxas moderadoras (min. da saúde). Nem me faças começar a falar sobre a ineficiência dos serviços.

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  2. Pois.

    E se quando a coisa mete doença e morte é mais chocante e MUITO mais doloroso, não é preciso ir tão longe. Estas tretas acontecem a todos os níveis.

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  3. A minha história não é dramática, mas é caricata. Felizmente encontrei emprego há pouco tempo. Depois de meses sem que o centro de emprego me contactasse, recebi agora duas cartas: as duas com o mesmo conteúdo. Se quisesse continuar inscrita no centro de emprego deveria devolver o postal, pois caso contrário o meu nome seria retirado. Naturalmente não devolvi o postal. Não é que recebi outro igual?

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  4. ... e assim se vão desperdiçando milhões...

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