quarta-feira, 2 de abril de 2014

Lido: Finis

Finis (bibliografia) é um imaginativo conto de ficção científica sobre o fim do mundo, escrito em 1906 por Frank L. Pollack. Trata-se de um exemplar curioso de ficção científica com mais de cem anos, que erra quase completa e até quase grotescamente a ciência mas que, tendo em conta o conhecimento científico da época, até talvez se possa considerar ficção científica dura, escrita e publicada antes sequer do género ser individualizado e definido. A ideia básica é simples. O universo, pensava Pollock (ou pelo menos admitia para efeitos literários), não podia ser realmente infinito e as estrelas não podiam estar apenas suspensas no vazio. Tal como a Lua orbita a Terra e a Terra o Sol, este e as demais estrelas deverão orbitar uma qualquer superestrela gigantesca cuja temperatura deverá ser mais quente que a do Sol, na proporção da diferença que existe entre as temperaturas deste e da Terra.

Mas nunca ninguém viu tal estrela. Porquê? Simples: porque a sua luz ainda não teve tempo para chegar até nós.

Até que de repente chega.

O mais interessante deste conto é o facto de seguir fielmente as regras da ficção científica tal como continuou a ser praticada ao longo todo o século que se seguiu. Não por todos os seus praticantes, bem entendido. Mas por muitos.

Isto, claro, apesar de haver também nele inegáveis ressonâncias dos mitos judaico-cristãos sobre o Armagedão. E também aí, na bem sucedida conciliação dessas influências religiosas com a ciência, o conto parece moderno.

É-nos apresentada uma ideia de índole científica, até mesmo em ambiente científico como na ficção de laboratório que tão comum tem sido na FC. Depois da ideia apresentada, o conto dedica-se a descrever os acontecimentos que são consequência da sua realidade. Para isso, faz uso de um casal de protagonistas que não perde muito tempo a desenvolver, pois a sua função é simplesmente servir de testemunhas dos acontecimentos. E estes são de dimensão verdadeiramente cósmica.

Apesar de irremediavelmente datado no que à verosimilhança científica diz respeito, mesmo apresentando uma ideia de uma modernidade surpreendente e ainda hoje válida (a de que há partes do universo que não são observáveis porque a luz que emitiram ainda não teve tempo para chegar até nós), trata-se de um conto bastante interessante para quem gosta de conhecer exemplares antigos do género. É, até certo ponto, o meu caso. Por isso, não posso realmente dizer que tenha gostado, mas li-o com interesse.

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