sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Lido: Escotilha

Foi pura casualidade, mas aparecem aqui na Lâmpada duas opiniões seguidas a contos com ambiente de space opera, pois é precisamente o que Carlos Silva nos traz em Escotilha. Numa espécie de inversão da ideia usada por João Barreiros em vários dos seus contos e que esteve também na génese de Terrarium, a de uma Terra repleta de alienígenas refugiados de regiões mais interiores da galáxia, em êxodo, a fugir de qualquer coisa, Carlos Silva apresenta o início do êxodo da humanidade, expulsa da Terra depois de perder uma guerra com uma espécie alienígena.

O conto é contado da perspetiva de um comandante alienígena, a assistir ao êxodo, e espantado com o facto de uma das naves terrestres de maiores dimensões ser usada para transportar livros. E podia ser um conto mais interessante se o Carlos não tivesse sido obrigado a gastar tanto espaço a despejar informação sobre o cenário para conseguir situar o leitor, servindo-se mesmo de um dos truques mais surrados da FC, ainda que de uma forma razoavelmente subtil, conhecido internacionalmente pela expressão "as you know, Bob". E creio que não teria outra alternativa para encaixar esta ideia num conto tão curto; ou seja, não me parece que o problema esteja na execução mas na própria adequação da ideia a um texto deste tamanho.

A consequência é parecer-me que esta história não é das melhores. Para o ser precisaria de mais espaço para respirar.

Contos anteriores deste livro:

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