quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Lido: O Segredo da Masmorra

Quando se fala em fantasia, em especial na sua variante mais ou menos épica, uma das primeiras coisas que vem à mente é a palavra "trilogia". Mas apesar de ser mais ou menos padrão do género a produção de vastíssimos volumes de texto para contar histórias que muitas vezes nem necessitariam deles, quando não se limitam, nos piores casos, a ser cópias levemente alteradas de obras anteriores e igualmente palavrosas, a verdade é que existe fantasia em formatos mais pequenos. Incluindo o conto.

Este O Segredo da Masmorra de uma tal Cinthia Goch que ou muito me engano ou é pseudónimo (na verdade, com brasileiros e os estranhos nomes que às vezes têm nunca se sabe), é um desses contos. Derivativo, pouco original e preocupado apenas com criar cenas de ação e perigo, o que reconheço que está plenamente de acordo com a proposta pulp da publicação em que se insere, o conto começa com um elfo em fuga de uma masmorra de um conde maligno, o qual recebe inesperadamente um estranho companheiro: um outro prisioneiro em fuga, que parece atacado de amnésia.

Ora bem: como quem acompanha a Lâmpada já deve fazer uma vaga ideia por esta altura, eu não gosto de pulp — com poucas exceções. Mas, mesmo sem gostar, consigo distinguir o bom pulp, com histórias bem construídas, bem encadeadas, e personagens que apesar de rasas (no pulp é muitíssimo raro que não o sejam) agem de forma consistente com as situações e as poucas características que os autores lhes incutem, e o mau pulp, em que nada disto acontece.

E esta história de Cinthia Goch está mais perto do segundo do que do primeiro, mesmo sendo o texto em si razoável. Há demasiados acontecimentos gratuitos, demasiado deus ex machina, demasiada conversa em momentos de perigo, que no entanto a autora não consegue fazer com que pareça iminente, e há sobretudo a sensação geral de que estamos perante um texto de uma autora inexperiente não só na escrita mas também na própria leitura. Esta é uma história fraca. Não francamente má, porque não deixa de ter algumas pequenas qualidades, mas fraca.

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