domingo, 5 de julho de 2009

E eis que o João Seixas desce às catacumbas do asco

Com isto caíram todas as máscaras que ainda pudessem existir. Nunca vi ninguém descer tão baixo, nunca vi tamanho arraial de deturpações, mentiras, insultos, e a mais vil das baixarias. O João Seixas revelou-se com absoluta clareza como aquilo que sempre foi.

Ainda bem. Quando o sol brilha sobre as coisas feias deste mundo, os homens sabem finalmente com o que contam.

Ainda pensei se valeria a pena meter as mãos em tal lodo, porque se há coisa certa quando se metem as mãos no lodo é ficar-se com elas sujas. Mas a coisa é demasiado grave para ficar sem resposta. Portanto, mola no nariz, e vamos lá mostrar quem aqui fala verdade e quem mente.

Escreve o Seixas:

É que quer o Jorge, quer o Nuno, parecem pensar que estamos ainda nos primórdios da FC Portuguesa. O Jorge, por exemplo, acredita que a FC Portuguesa nasceu com ele, em 2000, e que desde essa data o devia orbitar, fascinada pela sua capacidade de luminosa condução do género na agreste travessia dos vários desertos que tem enfrentado.


Se o Seixas acha que o Jorge e o Nuno pensam isso, lá com o Seixas. Nada de novo. Mas o exemplo sobre as "crenças do Jorge" chega a ser divertido quando se tem em vista que naquilo que eu realmente escrevi é referida uma quantidade de colecções que já estavam todas mortas ou moribundas em 2000. A honestidade resplandece.

O que o Nuno pensa ele o dirá, se quiser, mas o que eu penso é que se foram cometendo variadíssimos erros ao longo da história da edição de FC em Portugal, erros esses que foram afastando público, que, no entanto, continua a estar lá à espera de quem o saiba ir encontrar. Nenhuma semelhança, como qualquer pessoa com olhos na cara poderá ver, com a bojarda do Seixas. E sim, Seixas, editar colecções antes do seu tempo é um sinal de incompetência, é sinal de que o editor não está sintonizado com o seu público, e que portanto é um mau editor, seja ou não membro de alguma cáfila (de camelos?), seja ou não sinistro. A Contacto é por isso mesmo um excelente exemplo do tipo de erros que afastou os leitores. Posts como este do Seixas são outro exemplo, igualmente excelente na vertente asquerosa da coisa. São precisamente estas coisas que enterram a FC portuguesa. E a culpa dos erros é de quem os comete, certamente não do público leitor.

Mais. Escreve o Seixas:

No meio da sua diatribe, meio contrafeito, ele lá acaba por dar razão àquilo que eu aqui escrevi: o principal problema, assumido ou não, que assola a presente situação da FC Portuguesa é o público leitor. Isso transparece quando afirma, referindo-se aos Editores nacionais, que “nunca lhes entrou na cabeça que públicos leitores diferentes tomam opções diferentes de leitura, e tentaram impingir aquilo que achavam o supra-sumo da modernidade ou dos clássicos, importando padrões alheios que, como deveria ser evidente para qualquer um, não funcionam necessariamente por cá (…)”. Ou seja, o nosso público leitor, pelo menos de há 45 anos para cá (embora pudéssemos alargar isso à data da criação da Colecção Argonauta) não tem padrões de cultura que lhe permitam apreender e apreciar, nem as obras clássicas da FC, nem as mais recentes evoluções do género. Ou, porque o Jorge espalha esta sua asserção indiscriminadamente pelos anos 1980s, 1990s e 2000s, seria de perguntar quando perderam os leitores esses padrões? Ou mesmo, se alguma vez os chegaram a ter?


Admire-se o grau de deturpação que aqui está patente. Eu escrevo que editores incompetentes são incapazes de se aperceber de que públicos diferentes têm necessariamente opções diferentes quando chega a hora de preferir leituras, e que portanto é erro crasso tentar simplesmente macaquear padrões alheios como bom macaquinho de imitação. Aqui o nosso impoluto amigo diz que eu digo que o público português não tem padrões de cultura. Eu falo em padrões diferentes, o tipo diz que falo em ausência de padrões. Palavras para quê? É um artista português, e se calhar até lava os dentes.

E depois tem o desplante de pedir consultadoria grátis. Paguem-me, e eu explico. Se bem que de certos tipos nem a transferência do Cronaldo chegaria, até porque o mais certo seria o cheque vir sem cobertura. E porque de nada valeria. Há gente que é incapaz de acolher uma ideia nova na caixa craniana.

Depois, vem isto:

Certamente, uma editora gerida pelo Jorge Candeias seria um motor imparável na criação de um público leitor de FC em Portugal. Aliás, a actividade do Jorge Candeias nesse campo está cheia de sucessos e bons exemplos. Ele conhece perfeitamente o público leitor, e escreve especificamente para ele. Infelizmente, os seus trabalhos foram recusados por TODAS as editoras nacionais a que foram submetidos; o seu romance on-line, gratuito, teve um afluxo de leitores digno de um best-seller, alcançando quase… duzentos! Tudo isto, observe-se, são dados objectivos e frios, independentes de qualquer consideração sobre o mérito dos trabalhos do Jorge (que, como todos nós, é capaz tanto do melhor como do pior). Mas que impõe mais uma vez a questão: culpa dos Editores que não compreendem o Público Leitor? Culpa do Público Leitor que não compreende o Jorge? Culpa do Jorge que não compreende nada?

É verdade, os meus trabalhos foram recusados por todas as editoras nacionais a que foram submetidos. A contagem completa é a seguinte: O Por Vós lhe Mandarei Embaixadores foi submetido a uma editora: a Presença. E... hm... é só. Além dessa, houve uma única submissão (que não é bem submissão, é mais um sondar de interesse sobre trabalhos que ainda precisariam de ser trabalhados) cuja resposta ainda não chegou. E rejeitei um convite para publicar um livro de contos por achar que não tinha na altura nenhum conjunto suficientemente coerente. Isto quanto a trabalhos grandes, claro. Em contos e afins tive um rejeitado pela Ficções, e sei que estou aí em óptima companhia. E é só, porque as outras antologias foram todas organizadas por convite e não por submissão, e como toda a gente sabe no convite entra-se mais no território da clique do que de qualquer outra coisa. Os dois convites que tive rejeitei-os a ambos, embora por razões diferentes. O livro que publiquei não foi propriamente submetido à edição (foi a concurso), portanto se calhar não conta. E as publicações pagas que tenho lá fora não estão em Portugal. Voltando ao Por vós..., os dados da edição electrónica estão desactualizados. Neste momento, segundo o Google Analytics, o número de visitantes já soma 277. Fizeram 420 visitas e viram quase 700 páginas.

E é esta a verdade, pura e inadulterada por seixices.

Agora vamos à mentira. A mentira é dizer-se que eu "escrevo especificamente para [o público leitor]". Nunca na vida escrevi para o público leitor, e menos ainda quando escrevi o Por vós... Este foi escrito para me divertir a mim, como, aliás, está claramente dito aqui, onde também quem souber ler nas entrelinhas verá que não o considero propriamente o supra-sumo da minha produção literária. Se o Seixas não fosse o exemplo de honestidade que é... mas que digo eu? Se o Seixas não fosse o exemplo de honestidade que é, o inferno estaria coberto por um glaciar. Há hipóteses demasiado absurdas para sequer perder tempo com elas.

Quanto ao resto, sim, tenho feito pela vida. Nos últimos três anos passaram-me pelas mãos quase cinco mil páginas, que me esforcei por traduzir o melhor possível e respeitando escrupulosamente os prazos, e estou a contar só os livros já publicados. Há mais dois por aí a rebentar - mais umas 800 páginas, mais ou menos. Garanto que foi mais fruto dos timings da editora do que de opções próprias - eu teria preferido um ritmo mais brando, especialmente no ano passado. E construí quase sozinho um site bibliográfico com 16500 entradas. Não é nada, diz o tipinho. E depois acaba dizendo uma coisa óbvia:

Quem reclama a falta de publicação de ficção curta nacional, deve divulgá-la e criticá-la (e, já agora, comprá-la) quando esta é publicada.

Isto pretendendo subentender que não é o meu caso, claro. Ora, como sabe qualquer pessoa que tenha lido ainda que um punhado dos tais posts semanais, se há coisa que neles falo é dos contos que vou lendo. Lamento só ter começado a fazê-los depois de ter lido tanto a Sombra Sobre Lisboa, como as Ficções Científicas e Fantásticas, como os Contos de Terror do Homem-Peixe. É pena. Teria tido todo o gosto em esfregá-los na cara do Seixas, até porque felizmente bits não se sujam. Mas o que não falta ali é apreciações a contos e livros nacionais. Quem tiver dúvidas vá lê-los.

Mais palavras para quê? É este tipo que acusa os outros de má-fé. É este exemplo de honradez que acusa os outros de desonestidade.

Nota: post editado para remover o pior dos insultos. Foi estúpido publicar este post de cabeça quente. Os insultos fizeram-me descer ainda mais baixo do que o tipo. Não que não ache que os mereça, e a mais alguns, mas há coisas que fazem perder a razão onde ela existe e esta é uma delas. Por mais razão que eu tenha, ela ficou diminuída com a atitude à carroceiro. Depois de respirar fundo, lamento-a.

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