sábado, 1 de setembro de 2012

Lido: O Cavalo Branco

O Cavalo Branco (bib.) é uma vinheta de Álvaro Guerra sobre uma fuga e uma metamorfose. Um homem, preso num quotidiano e num casamento que o aborrecem, escapa transformando-se num dos cavalos brancos de um jogo de xadrez. O conto, um único parágrafo de duas páginas, contado na primeira pessoa, descreve esse processo e descreve-o muito bem, recorrendo com perícia à voz subjetiva do narrador. E remata ainda melhor, deixando no ar uma dúvida muito todoroviana sobre se aquela irrupção do fantástico no comezinho do dia-a-dia será verdadeira ou não passará de um ataque de loucura do protagonista. Este é daqueles contos que tendem a irritar os leitores que gostam do concreto nas histórias, mesmo quando esse concreto é fantástico, mas de que aqueles que se sentem atraídos pela ambiguidade tendem a gostar. Eu gostei.

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