quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Lido: A Lição de Inglês

Às vezes há contos enganadores. Ao abrir esta história de Maria Ondina Braga, de quem julgo só ter lido algumas histórias infantis na idade própria (e lembro-me vagamente de ter gostado) e um conto intitulado Estação Morta no ano passado, facilmente se julgaria estarmos perante uma história de terror. O ambiente está todo lá: noite escura e tempestuosa, telefonema misterioso vindo do nada, feito por uma mulher com umas tiradas que facilmente se poriam na conta de alguma espécie de fantasma ou demónio, por aí fora. Mas com o desenrolar do conto, essa impressão inicial vai-se desvanecendo no mundano de uma professora de inglês que é procurada por outra mulher que pretexta querer aprender a língua o quanto antes porque, ao que parece, houve um inglês que a fez sair da modorra insatisfatória de um casamento infeliz e a levou a querer partir para bem longe. A forma como Maria Ondina Braga vai tecendo os fios da narrativa dest'A Lição de Inglês é realmente boa, ainda que não seja difícil imaginar que um leitor particularmente apreciador das ficções sobrenaturais possa acabar por se sentir algo defraudado. Eu, que não sou grande fã de contos mundanos sobre relações amorosas, felizes ou infelizes, fiquei impressionado com essa faceta deste texto. Quanto ao resto, pareceu-me competente, mas não posso dizer que me tenha enchido as medidas. Questão de gosto pessoal.

Contos anteriores deste livro:

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