sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Lido: O Fim do Começo

Há muito em comum entre F de Foguete e este O Fim do Começo (bibliografia). Para começar, e acima de tudo, o maravilhamento com o espaço e o futuro, com as grandes coisas que a humanidade quase se diria estar destinada a fazer no seu trajeto para fora do útero terrestre. Também o ponto de vista que, embora não seja idêntico, é semelhante; quando em F de Foguete o ponto de vista é o de um jovem que anseia por partir para o espaço até que parte, neste conto é o da família que fica para trás, o pai e a mãe (Desse mesmo jovem? De algum outro? Pouco importa, no fundo), entre o entusiasmado e o preocupado, mas a certamente a rebentar de orgulho. E a identificação de vários começos. O começo da vida adulta dos jovens astronautas é, em ambos os contos, clara parábola para o começo da vida adulta da nossa espécie, corporizado pelo início da sua expansão para fora do planeta-natal.

Porque é isso o que Ray Bradbury realmente faz com estes dois contos. A partida para o espaço é como a primeira aventura fora da casa paterna, os foguetões que desaparecem no azul do céu são como a partida dos filhos do seio familiar, rumo à independência e ao que o futuro lhes trouxer. Em ambos, esta ideia vive bem forte. Mas a forma diferente como é concretizada realça não só as semelhanças mas também as diferenças. Este conto não é tão bom como o primeiro, em parte por ser menos subtil, mais claro na sua premissa, digamos, ideológica, em parte por afastar a atenção do verdadeiro protagonista: o jovem que se vai embora rumo ao espaço. Aqui, acompanhamos a espera dos pais pelo momento da descolagem do foguete que levará o filho a uma estação espacial cuja descrição faz lembrar a que vimos no filme 2001, uma Odisseia no Espaço. Trepidante? Sim. Mas é uma trepidação interna às personagens, e não se comparará, sem dúvida, com a trepidação do próprio jovem.

Apesar disso, o conto é bom. E, lá está, dele se pode também dizer o que eu disse do outro. A FC precisa de mais histórias assim, a escorrer esperança de todas as linhas. O mundo precisa de mais histórias assim.

Conto anterior deste livro:

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