quarta-feira, 11 de abril de 2018

Lido: Além do Tempo e do Espaço

Há quem pense que as antologias de ficção científica são moda recente e as olhe de soslaio, entre a desconfiança e a rejeição devidas às manobras editoriais pouco claras. Mas quem assim pensa engana-se redondamente, pois a verdade é que as antologias de FC são desde há muito tempo uma das formas mais utilizadas para dar a conhecer novos autores ao público apreciador do género e/ou para apresentar apanhados da produção no género durante um determinado período. E este Além do Tempo e do Espaço faz disso boa prova.

Publicada no Brasil há mais de meio século, no já algo longínquo ano de 1965, e sem apresentar informação sobre quem terá sido responsável pela edição e seleção de contos e autores, esta é uma antologia de FC bastante típica da realidade lusófona, agregando histórias muito díspares em termos de temática e qualidade. A par de alguns contos excelentes (na verdade, alguns são tão bons que me surpreenderam bastante, ultrapassando de longe qualquer coisa que eu conheça e tenha sido produzida em Portugal até essa época), inclui não só outros que não passam do fraco ou do razoável como até dois ou três realmente maus.

Não sendo uma antologia temática, não havendo portanto nenhuma unidade temática ou estilística entre os contos que a constituem, não é nem melhor nem pior do que a soma destes. E eles, variando como variam entre o ótimo e o péssimo, transformam-na numa antologia mediana, ainda que situada na parte mais elevada desse intervalo. Mas é, julgo eu, um bom retrato da FC que se produziu no Brasil até aos anos 60 do século passado (estão aqui incluídos contos criados desde os anos 40, pelo menos, portanto não reúne apenas a produção contemporânea), e esse tipo de apanhado é sempre útil e interessante em si mesmo. O que é pena, na verdade, é ser tão raro entre nós. Uma publicação regular, editada de x em x anos, das melhores histórias de FC produzidas nos países de língua portuguesa, seja isolados, seja em conjunto, seria de toda a utilidade. Mas ninguém parece muito interessado nisso, infelizmente.

Seja como for, e como eu digo sempre, basta que uma publicação (antologia, revista, etc.) inclua pelo menos um conto muito bom ou dois ou três bons para que a sua publicação valha plenamente a pena. E é o caso desta, sem qualquer dúvida. Histórias como Água de Nagasáqui, Da Mayor Speriencia ou O Elo Perdido são histórias que mereceriam maior divulgação e ser conhecidas por mais gente. Mereciam ser republicadas com alguma regularidade para chegarem a novas gerações de leitores. São boas o suficiente para isso. E mais que bastam para justificar este livro.

Eis o que achei dos contos individualmente considerados

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