terça-feira, 28 de agosto de 2018

Lido: Já Sinto

Conhecem o termo terrir? É uma palavra de cunho relativamente recente que serve para designar aquelas narrativas que unem temas típicos do terror (o macabro, o sanguinolento, o sobrenatural e as suas medonhas criaturas, etc.) à comédia ou pelo menos a uma abordagem bem-humorada à coisa. Pois bem: Já Sinto, conto cujo protagonista de chama Jacinto, é uma dessas narrativas.

Neste conto curto macabro de Carina Portugal, Jacinto é um coveiro, à primeira vista humano, cuja principal responsabilidade parece ser impedir que os mortos-vivos, apropriadamente desmiolados, saiam das tumbas, ou pelo menos do cemitério, e se ponham a vaguear pela cidade à procura dos miolos que lhes faltam. Talvez não todos os dias, mas pelo menos na noite de 31 de outubro, véspera do dia de todos os santos. Como faz ele isso? À pazada, claro está, embora tenha outros métodos lá dele se a pazada não for suficiente. E é isso o que o conto conta.

E conta-o em geral bem, embora haja alguns detalhes que uma revisão feita por um revisor ou editor que soubesse do seu ofício não deixaria passar. Exemplo: a frase "O olhar de alguns mortos voltaram-se de imediato para ele" é incorreta porque é o olhar que se volta, não os mortos, logo devia ser "voltou-se" e não "voltaram-se". Mas sim, o conto está engraçado e de um modo geral bem escrito.

Conto anterior deste livro:

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