quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Lido: Ulrica

São contos como este que me deixam a sentir-me menos que aprendiz.

À primeira vista, não se trata de nada muito especial. Uma mera história de sedução contada em jeito oitocentista, um daqueles depoimentos de caso sucedido, na qual o narrador conta a forma como conheceu a protagonista, que dá nome ao título: Ulrica. Como a conheceu e como a seduziu, ou se deixou seduzir por ela, ao ponto de toda a aventura desembocar em sexo.

Mas Jorge Luis Borges enche a história com um clima de inquietação, salpica-a de pinceladas subtilíssimas de fantasmagoria, de uma forma que me deixa boquiaberto. Tão, tão bem feito, com palavras cirurgicamente escolhidas e colocadas nos seus lugares com cuidado de relojoeiro! Será realmente palpável, a Ulrica? Ou apenas uma imagem insubstancial?

Para um leitor que se prenda apenas nos detalhes da história, este conto talvez não seja particularmente interessante, mas para quem domine o suficiente das coisas da escrita para prender a atenção em detalhes de técnica narrativa, é um prato cheio. Absolutamente magnífico.

Conto anterior deste livro:

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