quinta-feira, 29 de março de 2018

Lido: O Diabo com os Três Cabelos Dourados

Este conto também parece não ter sido muito alterado pelos Irmãos Grimm, exceto, provavelmente, no que toca à elaboração literária do texto propriamente dito. A acrescer-lhe ao interesse está uma história invulgarmente iconoclasta, daquelas que tenho encontrado muito nos contos portugueses recolhidos pelo Adolfo Coelho mas não nos dos Grimm. O Diabo com os Três Cabelos Dourados podia intitular-se com igual proveito "O Felizardo Bondoso e o Rei Cruel", pois é basicamente disso que a história trata: um miúdo que nasce prodigioso e que ao qual se profetizam grandes feitos e um casamento real e o rei com cuja filha esse casamento real se viria a efetuar. Só que o rei não está pelos ajustes — um plebeu a casar com a filha de sangue azul? Deus salve a monarquia de tal sorte! — e trata de se livrar o importuno. Ou de tentar, pelo menos, que a sorte do felizardo parece ser inabalável por crueldades ou magia ou seja mais o que for. Há uma série de provações que o jovem acaba por ter de ultrapassar, enredo arquetípico pelo menos desde o original grego do mito de Hércules e, como quase sempre acontece nestas histórias, tudo acaba em bem, com os bons felizes para sempre e os maus devidamente punidos. Um conto tradicional que, apesar de ter os seus motivos de interesse, se situa numa segunda ou terceira linha; não é propriamente memorável.

Contos anteriores deste livro:

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