terça-feira, 25 de setembro de 2018

Lido: Estilhaços

Com Estilhaços, Carina Portugal regressa ao horror depois de uma breve passagem por um fantástico mais suave. Também este é um conto razoavelmente longo, com espaço para respirar, e isso tem logo como consequência estar muito melhor amarrado do que alguns dos contos anteriores. Há autores cuja força principal está na capacidade de com duas ou três palavras dizerem tudo. A esta altura parece já bastante claro que Carina Portugal não pertence a esse grupo: a escrita dela precisa de espaço.

Trata-se de uma história de casa assombrada, protagonizada por dois irmãos, um rapaz e uma rapariga, destemidos, ou talvez nem por isso mas certamente fanfarrões, que resolvem um belo dia ir investigá-la. E só um deles regressa, pois na casa existe mesmo uma magia perigosa relacionada com um espelho (daí o título). A história é contada muitos anos mais tarde pelo irmão sobrevivente, já velho, o qual, depois de a contar, decide regressar à casa para finalmente fazer uma coisa que nunca tivera coragem de fazer.

Este conto não é tão bom como o anterior; as já conhecidas fragilidades da autora são aqui um pouco mais presentes e a história está um pouco menos sólida, além de dela emanar um certo ar de coisa já vista. É difícil ser-se realmente original com histórias de casarão assombrado; já foram escritas milhares delas, há-as às dezenas no cinema e às centenas em outros media. Mas apesar disso volta a ser uma das melhores histórias do livro e é um conto que, resolvido um ou outro pormenor, representaria dignamente a autora em qualquer publicação.

Contos anteriores deste livro:

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