domingo, 12 de maio de 2019

Lido: Des-Sincronicidades

Houve uma época em que Luís Filipe Silva pareceu produzir (e publicou, de várias formas) sobretudo ficções ultracurtas, quase sempre de ficção científica e muitas vezes com forte pendor pseudofactual. Este Des-Sincronicidades (bibliografia), uma vinhetazinha que num livro ocuparia cerca de uma página, é uma dessas ficções.

Fala de um supremo azarado. De alguém que está sempre no lugar errado no momento errado, que faz sistematicamente as coisas na véspera de se tornarem desnecessárias, redundantes ou prejudiciais. Paradoxalmente, isso vai conduzir à sua sobrevivência (de certa forma) muito para lá do que seria expectável. E de peripécia em peripécia, vai sendo contado a largas pinceladas um futuro possível para a espécie humana no planeta Terra.

É isto, este relato do futuro nas entrelinhas, o que o conto tem de mais interessante. À parte esse detalhe, a sua principal qualidade é ser divertido, quase em jeito de anedota, o que não é nada de deitar fora mas não logra elevá-lo muito alto. Mas juntando as duas coisas fica um bom conto de FC.

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