domingo, 3 de dezembro de 2017

Lido: Água de Nagasáqui

Se eu algum dia me metesse a organizar uma antologia de ficção científica brasileira para a apresentar ao público português (algo que não está nos planos, esclareça-se, apesar de me parecer uma ótima ideia que alguém trate disso... e do vice-versa), este conto estaria com toda a certeza lá.

Água de Nagasáqui (bibliografia) foi uma grande surpresa. Muito bem escrito, em jeito de testemunho, este conto de Domingos Carvalho da Silva (autor verdadeiramente lusobrasileiro, pois nasceu em Portugal e cresceu no Brasil) relata a história de Takeo Matuzaki, um natural de uma ilha próxima de Nagasáqui, que era adolescente quando os americanos despejaram sobre a cidade a segunda e última (até agora) bomba atómica usada militarmente na história da Humanidade. É descrita a vida do homem, entre a sua ilha natal, a cidade de Nagasáqui, Tóquio e finalmente a emigração para o Brasil, com tudo no seu lugar próprio, um ritmo impecável e um português de qualidade. E um mistério que se vai desenvolvendo até ser esclarecido quase no final: o homem nunca se defende da radioatividade, limita-se a ignorá-la. E no entanto, ao contrário de muitos outros, incluindo pessoas mais ou menos próximas, não morre. Nem sequer adoece. O que se passa?

Este é um belo conto de ficção científica, com toques fortes de horror. Vale muito a pena ser lido.

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