segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Lido: Um Som de Trovão

Há dois ou três contos de Ray Bradbury que têm lugar assegurado em qualquer antologia séria da melhor ficção científica de sempre em forma curta, resumindo-se a dificuldade à escolha entre eles, caso exista em tal projeto a tão comum limitação de um conto por autor. Um desses contos é, sem dúvida, Virão Chuvas Suaves. Outro, com igual certeza, é este Um Som de Trovão (bibliografia).

Trata-se de uma história de viagem no tempo magnificamente construída. Uma empresa privada, a Safaris no Tempo, Inc., encontrou um lucrativo modelo de negócio: enviar caçadores a épocas longínquas, em que seriam capazes de caçar animais entretanto extintos, podendo depois levar consigo, se não os troféus, pelo menos fotografias da façanha. Para tal, e a fim de evitar causar alterações imprevisíveis e por isso perigosas no espaçotempo, a empresa investiga minuciosamente o passado, procurando animais que, mesmo sem que o caçador os mate, acabem por morrer pouco depois do momento escolhido para a caçada, e instalando uma passadeira flutuante de onde os viajantes no tempo não poderão de forma alguma sair, a fim de evitar que alguma bota distraída acabe por esmagar inadvertidamente alguma criatura relevante. E o nosso protagonista lá vai, caçar dinossauros. Ou melhor: um dinossauro específico.

Bradbury leva os leitores pela mão, desvendando tudo isto com plena mestria, pondo naturalmente as coisas a correr mal e relatando o que acontece depois. Mas tudo tão bem feito que, mesmo havendo já em cima deste conto mais de sessenta anos de histórias de ficção científica, algumas das quais sobre temas semelhantes, não me parece possível algum leitor ficar indiferente a esta velha história. Julgo que parte do fascínio está no final do conto, que apresenta um jogo de expetativas e reviravoltas absolutamente brilhante, mas tudo o resto é igualmente muito bom.

Nada bate ler-se este conto pela primeira vez sem nada se saber sobre ele. Mas eu, que já o li várias vezes em várias publicações diferentes, continuo a fazer uma vénia mental ao mestre sempre que termino mais uma leitura. Um clássico é isto.

Contos anteriores deste livro:

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