segunda-feira, 1 de abril de 2019

Lido: História do Alquimista que Vendeu a Alma

«Hm...», poderão pensar vocês. «Um alquimista que vendeu a alma? Poderá ser que esta é mais uma história relacionada com o mito de... hm... Fausto?»

E não é que acertaram em cheio? Malta esperta, pá.

Sim, Italo Calvino encontrou Fausto nas suas cartas de tarot, e é precisamente isso o que conta nesta História do Alquimista que Vendeu a Alma. De novo, e mais que provavelmente assim será até ao fim deste livro, é o artifício narrativo que tem honras de holofote nesta história, ficando o enredo um pouco para trás. Na verdade, teria sempre de assim ser, pois esta forma de contar histórias, através de cartas de tarot postas na mesa e do modo como elas são interpretadas pelo narrador e, imagina ele, as outras pessoas presentes aquando da narração não se presta muito a grandes novidades em termos de enredo e personagens.

De resto, estas são basicamente apenas o contador mudo e o diabo e, secundariamente, aquele que interpreta as cartas e reconstrói a história por escrito, e o enredo limita-se ao momento em que o alquimista/Fausto vende a alma ao diabo, seguido por um momento que depende de uma carta de difícil interpretação e por isso permanece vago. Retirando da equação a perícia narrativa e o artifício que está na sua base, portanto, é uma história escassa. Mas esta forma de contar histórias tem interesse em si mesma; é sempre interessante ver como Calvino se desenrasca com as cartas que lhe calham em sorte.

E isso chega? Bem... eu não sou grande fã de textos em que a forma se sobrepõe ao conteúdo, como quem me lê regularmente já sabe, mas neste caso até sou capaz de abrir uma exceção.

Contos anteriores deste livro:

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