domingo, 22 de setembro de 2019

Fernando Esteves Pinto: Coração da Cidade

Apesar do título de Coração da Cidade poder levar a suspeitar do contrário, nada existe de fantástico neste conto de Fernando Esteves Pinto. Ambientada, como a anterior, em Vila Real de Santo António, tendo também como protagonista um escritor que vai à cidade mais oriental do Algarve para um evento literário e sendo contada na primeira pessoa, esta é basicamente uma história de engate.

O protagonista entra num bar, onde uma mulher que pouco depois vem a saber que é prostituta vem ter com ele. Esse é o ponto de partida do conto. O que se segue é uma sinuosa história de sedução e hesitações entre a profissional do sexo e o escritor. A ideia parece ser dissecar o desejo humano e as suas variações e consequências, numa espécie de fluxo de consciência bastante centrado no umbigo do homem. Para mim, é este o grande ponto fraco desta história (além de algumas falhas nas vírgulas e uma ou outra gralha), porque embora se perceba o esforço em contrário, não se consegue descortinar grande substância na mulher. E sem haver grande substância na mulher, a dissecação do desejo humano resume-se à dissecação do desejo masculino, intercalada com imagens idealizadas ou imaginadas do feminino (resumido à prostituta, o que também tem o seu quinhão de problemas). Por outras palavras: fica coxa.

Não é, portanto, uma história que me tenha interessado ou agradado muito. Não será má, mas está muito longe de ser história que me encha as medidas e está bastante abaixo da de António Manuel Venda na minha escala de valores. Lê-se bem, mas sempre com uma séries de poréns subjacentes à leitura.

Conto anterior deste livro:

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