terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Lido: A Bullfight in Mérida

Termina este grupo de continhos de Bruce Holland Rogers com mais um que não teve tradução para português, A Bullfight in Mérida. Trata-se de outro conto muito curto, em que o que mais impressiona é a abordagem a uma história com fantasma incluído, o fantasma da avó do narrador, cuja vida Rogers conta a largas pinceladas enquanto vai assistindo (ou vão: não é só ele que está entre o público, o fantasma da avó também está) a uma tourada em Mérida. Esta, a tourada, é usada não só como pano de fundo mas também como termo de comparação com a vida que vai contando, retratando com o auxílio dela uma mulher sofrida, uma mulher que, por assim dizer, passou a vida a ser espetada por bandarilhas. Embora este não seja dos contos de Rogers que mais me agradam, é-me impossível não tirar o chapéu (também fantasmagórico) à subtileza com que ele sugere uma vida inteira, servindo-se não só da ação mas também do cenário, e tudo em pouco mais de uma página. Bruce Holland Rogers é mesmo muito bom na extensão ultracurta. Mesmo muito bom.

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