quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Lido: Crime

Luiz Bras parece gostar particularmente de coisas híbridas. A sua ficção científica raramente é só FC e o que não o é primordialmente muitas vezes inclui elementos de FC. Os textos em prosa vêm frequentemente carregados de poesia, e os textos que visualmente se assemelham a poemas poderiam muitas vezes escrever-se como prosa simples. E etc. Vários eteceteras. E este Crime é mais um desses textos híbridos.

É um poema? Se calhar é, sim. Um poema de versos longos rematado por um parágrafo em prosa, sobre... sobre o quê, ao certo? Sobre a identidade? Sobre a unidade fundamental de todas as coisas, talvez? O pretexto é um crime, mas Luiz Bras serve-se de surrealismo para sugerir, em amplas e vagas pinceladas, que tudo está interconectado de uma forma inextricável. Julgo eu. Parece-me.

E é bom? Parece-me (de novo a palavra) que sim. Está muito bem escrito, para começar e, se a ambiguidade, se uma certa forma impressionista de transmitir a ideia, eram aquilo que ele procurava fazer, fê-lo na perfeição. Mas não é texto que agrade a qualquer leitor, longe disso. É demasiado literário, em tudo o que a palavra implica.

Textos anteriores deste livro:

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