terça-feira, 6 de novembro de 2018

Lido: Sementes de Fada

Já aqui escrevi, vendo-me desmentido pouco depois, mas agora reitero: Carina Portugal é melhor em contos mais extensos do que nos mais curtos, mesmo havendo entre estes alguns que se elevam acima dos restantes. E este conto, Sementes de Fada, é dos mais extensos. O que implica desde logo que pode ser também dos melhores.

E é. É uma história oitocentista, ambientada na Serra de Sintra, cenário adequadamente misterioso. O protagonista regressa ao seu velho casarão senhorial, que julga abandonado... mas depressa descobre (dolorosamente) que não o está. Uma rapariga abriga-se lá dentro, uma rapariga imunda e muda. Uma rapariga?...

Pois. Não é uma rapariga. Ou antes, é não sendo. Esta é uma história de fantasia razoavelmente sombria sobre criaturas da floresta e as suas relações contraditórias com os mortais. Faz-me lembrar pela ambiência e abordagem um dos livros que traduzi: A Criança Roubada, do Keith Donohue. Mas o tema principal é diferente. O desta história de Carina Portugal é principalmente o desejo sexual e, de certa forma, o amor, ou pelo menos a lealdade.

Somando-se a isso um texto em que as fragilidades da escrita da autora se fazem sentir pouco, voltamos a ter aqui um dos pontos altos do livro.

Textos anteriores deste livro:

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