terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Lido: Doze Doses de Ilusão

E de repente, eis que Carina Portugal surpreende. Depois de um número razoável de contos sempre virados para o horror sobrenatural ou para outras formas literárias em que a magia tem papel de relevo, e mesmo quase a chegar ao fim do livro, eis que neste Doze Doses de Ilusão surge, sem aviso, a ficção científica.

E é um conto de ficção científica bastante interessante, no qual a autora consegue inserir de forma eficaz os territórios que lhe são mais familiares. Por outras palavras, conseguiu encontrar maneira de sair da sua zona de conforto mantendo-se no entanto nela escorada.

Estamos no futuro, claro, e acompanhamos um pai desesperado que perdeu uma filha. A dor leva-o a tomar uma sobredose de umas pílulas claramente inspiradas nas pílulas azul e vermelha da série Matrix, que lhe fornecem uma fuga para um mundo ilusório onde a miúda ainda está viva. O resultado dessa sobredose deveria ser a morte, mas algo de inesperado acontece e, com viagem no tempo à mistura, uma espécie de milagre mediado pela tecnologia surpreende toda a gente.

Apesar de se notar que as principais referências de FC da Carina Portugal são audiovisuais, não literárias, este é um bom conto, razoavelmente bem escrito e bem concebido se suspendermos a descrença o suficiente para ultrapassar algumas inverosimilhanças científicas no enredo (no fundo, o mesmo que o Matrix nos pede), tendo ainda a qualidade de facilmente poder ter caído na lamechice mas ter evitado fazê-lo.

Textos anteriores deste livro:

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