quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Lido: Maria Silva

Apesar de tenderem a sofrer adaptações delicodoces quando são apresentados às criancinhas, muitos dos contos populares nas suas versões originais são violentamente cruéis. Ora são reis que mandam matar toda uma população de crianças porque um oráculo lhes diz que entre essas crianças está uma que os vai matar décadas mais tarde, ora são maus que são castigados das formas mais hediondas que se possa imaginar, ora são feitiços ou provas que forçam quem fica sob a sua alçada a sofrimento prolongado, ora é uma série de outras coisas desagradáveis, estes contos estão repletos de atos e sacrifícios que parecem saídos diretamente das catacumbas mais sombrias da imaginação humana.

É muito o caso deste Maria Silva, mais um conto recolhido por Adolfo Coelho em Coimbra. Trata-se de mais um daqueles contos de profecia em que o alvo da profecia tenta de tudo (ou quase) para evitar que ela se cumpra, quase sempre em vão. Neste caso, trata-se de um príncipe que um dia na floresta ouve choros e uma voz a dizer-lhe que a que chora haveria de ser dele. E que faz? Procura a criança que chora e marca-a na testa com um ferro em brasa, corta-lhe um dos mindinhos e abandona-a numas silvas. Um amor de pessoa, não é? Mas o destino é o destino e depois de crescer rodeada de prodígios mais ou menos impossíveis, a bebé acaba mesmo casada com o príncipe.

Este é mais um dos contos com pano para muitas mangas que se podem encontrar neste livrinho. E dá para ser adaptado de formas muito diferentes.

Contos anteriores deste livro:

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