quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Emanuel R. Marques: A Desconhecida

Comecei praticamente o ano a ler um conto em ebook do Emanuel R. Marques, e quase ao fechar o pano leio um conto do mesmo autor, agora em papel. E se não gostei particularmente do conto que li em janeiro, do que li em dezembro gostei ainda menos.

Continuamos em tom de horror. A Desconhecida (bibliografia) é um conto de fantasmas com uma pequena diferença; enquanto na maior parte de histórias de fantasmas estes são visíveis para a pessoa que assombram, ou então para toda a gente, aqui o fantasma, isto é, a desconhecida do título, é visível para todos menos para a pessoa que assombra. É um elemento positivo do conto. De resto, não tenho grandes queixas relativas à ideia ou até à maior parte da construção narrativa. São interessantes, umas e outras.

O problema é este conto estar bastante mal escrito. Há autores que precisam que lhes seja inculcada a ideia de que menos é muitas vezes mais, em particular quando não têm o domínio sobre a língua portuguesa que é indispensável para se fazer bem certas coisas. Não há nisso nenhuma desgraça; esse domínio é algo que se adquire. Mas leva tempo. Tempo, muita leitura e muito texto escrito, em especial mas talvez não exclusivamente na língua em que se trabalha, tanto a leitura quanto a escrita. É por isso que é tão útil escrever em blogues, por exemplo: obrigam a uma assiduidade no trabalho com a língua que outras formas de produção de texto podem tender a descurar. Mas divago.

O que interessa é que por estar tão mal escrito este conto de fantasmas acaba por se tornar bastante mais fraco do que poderia ser. Tinha potencial para muito, muito mais.

Textos anteriores deste livro:

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