quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Ray Bradbury: A Multidão

Um homem tem um acidente de viação. Não sabe bem como nem porquê, embora o acidente seja sério. Mas acha estranho ver-se rodeado de uma multidão de mirones de uma forma que lhe parece demasiado súbita, e isso vai levá-lo a começar a prestar uma atenção paranoica a casos semelhantes. É este o ponto de partida para este conto de Ray Bradbury, adequadamente intitulado A Multidão.

Embora seja uma daquelas histórias paranoicas clássicas, com um protagonista carregado de razão mas incapaz de fazer os demais compreender que a tem, e apesar de seguir o enredo típico dessas histórias, no qual o protagonista, depois de se aperceber de que algo está errado, procura sem sucesso transmitir àqueles que o rodeiam aquilo que descobriu, este conto consegue manter-se interessante. Em parte por estar tão bem escrito.

E o que é que está errado? É o surgimento súbito daquela gente toda, claro, gente que se repete acidente após acidente, as mesmas caras, as mesmas opiniões, a mesma curiosidade mórbida sobre se o(s) acidentado(s) escapa(m) à morte ou não. O protagonista vai coligindo evidências, tentando pelo menos compreender o que se passa. Mas em vão, sempre em vão. Só no fim do conto compreende. E nós também.

Este conto é bastante bom.

Contos anteriores deste livro:

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